Extensões de cílios transformou a rotina estética de muitas pessoas, mas também despertou questionamentos sobre seus efeitos na saúde ocular. A ciência mostra que, quando o procedimento é feito por um profissional capacitado e em condições adequadas de higiene, o risco de complicações é baixo. A maioria das reações adversas relatadas está associada a aplicação inadequada, produtos de baixa qualidade ou à ausência de orientação para os cuidados diários. Estudos revisados por sociedades oftalmológicas indicam que as extensões não danificam os cílios naturais desde que não sobrecarreguem o folículo, que haja isolamento correto dos fios e que se respeite o ciclo de crescimento natural. O maior risco clínico está no uso de adesivos que liberam vapores irritantes, na falta de higiene do local e na negligência quanto à manutenção ou remoção profissional, fatores que podem gerar conjuntivite alérgica, blefarite ou perda temporária de fios naturais.
É preciso remover as extensões de cílios para exames ou cirurgias?
Do ponto de vista médico, um equívoco frequente é a ideia de que a presença de extensões de cílios impede a realização de exames ou cirurgias oftalmológicas e exige a remoção imediata. Isso não se aplica à maioria dos casos. Exames de rotina como mapeamento de retina, tonometria, biomicroscopia ou retinografia podem ser feitos sem necessidade de retirar as extensões de cílios, desde que o paciente mantenha a região limpa e siga as orientações do profissional de saúde. Já em procedimentos que exigem assepsia rigorosa ou uso de campos estéreis, como cirurgias de catarata ou correções refrativas a laser, muitos médicos preferem recomendar a remoção das extensões como medida preventiva para evitar partículas ou resíduos de cola no campo cirúrgico. Mesmo nesses casos, não há uma proibição absoluta, mas sim uma decisão de precaução e conforto do cirurgião. Em situações emergenciais, como traumas oculares ou infecções agudas, a remoção pode ser indicada para permitir melhor acesso ao local afetado ou evitar que os fios interfiram na aplicação de medicações tópicas.
A literatura científica também destaca que o acompanhamento periódico do cliente com extensões de cílios é essencial para reduzir riscos. A higiene diária com produtos adequados, o controle de oleosidade na pálpebra e a manutenção regular realizada por um profissional treinado reduzem a formação de depósitos e minimizam a proliferação de ácaros e bactérias, fatores associados a blefarite crônica. Além disso, recomenda-se que pessoas com doenças pré-existentes nos olhos, como síndrome do olho seco grave ou alergias oculares persistentes, conversem com um oftalmologista antes de iniciar ou manter extensões, para avaliar possíveis ajustes no procedimento ou a frequência das manutenções.
Para profissionais da beleza, a responsabilidade inclui usar produtos aprovados, manter protocolos de biossegurança, orientar o cliente sobre sinais de alerta como coceira persistente, dor ou vermelhidão, e estabelecer comunicação clara com médicos quando necessário. Essa colaboração entre profissionais de beleza e oftalmologistas contribui para segurança, confiança e continuidade do uso das extensões sem comprometer a saúde ocular. À medida que os materiais evoluem, com colas de baixo teor de formaldeído, fios ultraleves e técnicas menos invasivas, a tendência é que as extensões se tornem ainda mais seguras, desde que acompanhadas de informação correta e boas práticas de aplicação.
Em resumo, a ciência não considera as extensões de cílios um risco inerente para a saúde ocular; os riscos decorrem de má técnica, produtos inadequados ou negligência na manutenção. A remoção obrigatória é restrita a procedimentos cirúrgicos específicos ou a situações de complicação clínica, e não deve ser encarada como regra geral. Informar corretamente o cliente, manter um canal aberto entre profissional e oftalmologista e seguir padrões de biossegurança são os pilares para que a estética e a saúde caminhem juntas.
